Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007
A Gente de VILARINHO DA FURNA vista por MIGUEL TORGA

Requiem

Viam a luz nas palhas de um curral,
Criavam-se na serra a guardar gado.
À rabiça do arado,
A perseguir a sombra nas lavras,
aprendiam a ler
O alfabeto do suor honrado.
Até que se cansavam
De tudo o que sabiam,
E, gratos, recebiam
Sete palmos de paz num cemitério
E visitas e flores no dia de finados.
Mas, de repente, um muro de cimento
Interrompeu o canto
De um rio que corria
Nos ouvidos de todos.
E um Letes de silêncio represado
Cobre de esquecimento
Esse mundo sagrado
Onde a vida era um rito demorado
E a morte um segundo nascimento.

Miguel Torga

Barragem de Vilarinho da Furna
18 de Julho de 1976

http://www.vidaslusofonas.pt/miguel_torga.htm

MA



publicado por MA às 03:14
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1 comentário:
De OLima a 1 de Fevereiro de 2007 às 10:40
Neste ano de Miguel Torga foi bom recordá-lo a propósito da barragem.


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